Todas as ambulâncias operacionais da BR-116 e da Rodovia Rio-Santos passam a contar com Desfibriladores Externos Automáticos (DEA). O investimento, superior a R$ 100 mil, coloca o equipamento — considerado essencial no atendimento a paradas cardiorrespiratórias — em toda a frota de socorro das duas vias, administradas pela concessionária RioSP.
O DEA é um aparelho capaz de analisar automaticamente o ritmo cardíaco do paciente e aplicar um choque elétrico quando necessário, seguindo protocolos internacionais de reanimação. Seguro e projetado para ser operado mesmo por leigos, ele é peça central no que especialistas chamam de Cadeia de Sobrevivência — a sequência de ações que, encadeadas com rapidez, aumentam significativamente as chances de o paciente sobreviver.
O fator tempo é determinante nesses casos. De acordo com diretrizes da American Heart Association (AHA), a cada minuto sem desfibrilação, a probabilidade de sobrevida cai entre 7% e 10%. Quando o equipamento é utilizado nos primeiros minutos — especialmente combinado com reanimação cardiopulmonar (RCP) de qualidade —, a taxa de sobrevivência pode superar 70%.
No contexto rodoviário, a medida é ainda mais relevante: paradas cardiorrespiratórias podem ocorrer tanto em vítimas de acidentes quanto em motoristas e passageiros acometidos por eventos clínicos súbitos, como infartos. Nas extensões da BR-116 e da Rio-Santos, ter o DEA na própria ambulância que atende a ocorrência reduz o tempo até a primeira intervenção — etapa crítica do atendimento pré-hospitalar, conhecida como "tempo ouro".
Equipes capacitadas para operar os equipamentos
A chegada dos desfibriladores foi acompanhada de um ciclo intensivo de treinamentos. Em abril, 262 profissionais — entre socorristas, enfermeiros e médicos — participaram de formações em Atendimento Pré-Hospitalar (APH) realizadas em três municípios ao longo das rodovias: Santa Isabel (dias 1 e 2), Itatiaia (dias 9 e 10) e Angra dos Reis (dias 16 e 17).
Os treinamentos abrangeram desde avaliação primária pelo protocolo XABCDE até técnicas de imobilização, rolamento e extração de vítimas em veículos sob diferentes ângulos. O uso do DEA combinado ao suporte básico de vida (BLS) foi parte central do conteúdo, assim como a atualização no manuseio de equipamentos como torniquetes, bandagem israelense e SWAT.