Em reunião realizada nesta segunda-feira, 24 de fevereiro, em Brasília, as principais lideranças do campo conservador do Estado do Rio de Janeiro avançaram na definição dos nomes que deverão disputar as próximas eleições sob a chancela política da família Bolsonaro.
Sob a coordenação do senador Flávio Bolsonaro, participaram do encontro o governador Cláudio Castro; o presidente estadual do PP, deputado federal Dr. Luizinho; o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda; o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa; o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto; o deputado federal e presidente estadual do PL, Altineu Côrtes; o secretário estadual das Cidades e deputado estadual licenciado Douglas Ruas; o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella; além do senador Bruno Bonetti.
O desenho político consolidado no encontro busca acomodar interesses do PL e da federação formada por PP e União Brasil. Pelo arranjo discutido, Douglas Ruas (PL) seria o candidato ao Governo do Estado, tendo Rogério Lisboa (PP) como vice-governador. O atual governador Cláudio Castro disputaria uma vaga ao Senado, enquanto Márcio Canella (União Brasil) concorreria à segunda cadeira em disputa.
A movimentação ocorre três dias após a confirmação do nome de Jane Reis como pré-candidata a vice-governadora na chapa liderada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Jane é irmã do presidente estadual do MDB, Washington Reis, que até então se apresentava como pré-candidato ao governo estadual.
Apesar do avanço nas tratativas, o cenário ainda está longe de definições consideradas definitivas. A própria experiência política recente demonstra que anúncios de pré-candidaturas — especialmente para cargos de vice — costumam sofrer alterações conforme evoluem negociações partidárias e acomodações regionais.
A cerca de 40 dias do prazo de desincompatibilização, novas mudanças ainda são consideradas possíveis. Até a semana passada, por exemplo, o nome mais cotado para compor como vice na chapa de Eduardo Paes era justamente o de Rogério Lisboa.
Nos bastidores, lideranças do PP, partido comandado no estado por Dr. Luizinho e com forte influência na Secretaria Estadual de Saúde, teriam enfrentado resistência do deputado federal Daniel Soranz (PSD). Soranz exerce influência direta sobre a política de saúde do município do Rio e é apontado dentro do grupo de Paes como possível futuro secretário estadual da área.
A definição do nome de Douglas Ruas reúne componentes estratégicos, reativos e de conveniência política.
Do ponto de vista estratégico, Ruas é policial civil, deputado com atuação consolidada e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, responsável por comandar o segundo maior colégio eleitoral do estado.
A presença de Rogério Lisboa na vice-governadoria funciona como contraponto ao apoio da família Reis ao grupo de Eduardo Paes. Lisboa deixou a Prefeitura de Nova Iguaçu com altos índices de aprovação e representa outra força eleitoral relevante da Baixada Fluminense — região que também abriga a base política de Dr. Luizinho.
O movimento também possui caráter reativo após o PP ter sido surpreendido pela definição da vice na chapa adversária, nome que sequer figurava entre os mais citados nas negociações anteriores, reduzindo as perspectivas de manutenção da influência do grupo sobre a área da Saúde.
Já Márcio Canella amplia a presença do União Brasil na composição e reforça o peso político da Baixada Fluminense. Belford Roxo, município que administra, foi a única grande cidade da região cujo prefeito anterior declarou apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 — movimento que resultou, à época, na indicação da deputada Daniela do Waguinho para o Ministério do Turismo por cerca de seis meses.
O arranjo ainda contribui para a acomodação partidária na chapa majoritária e abre caminho para o processo de sucessão indireta no governo estadual, previsto para ocorrer em até 30 dias após eventual renúncia do governador Cláudio Castro para disputar o Senado.
Nesse cenário, ganha força a possibilidade de eleição indireta do atual secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione, considerado principal articulador administrativo do governo. O processo seria conduzido pelo presidente em exercício da Assembleia Legislativa (Alerj), deputado Guilherme Delaroli (PL), aliado do grupo político liderado por Altineu Côrtes.
No saldo das articulações, Cláudio Castro consolida o apoio do campo bolsonarista à sua candidatura ao Senado e preserva influência sobre a sucessão temporária no Executivo estadual.
Dr. Luizinho encontra uma solução política que mantém seu grupo próximo da estrutura de poder estadual, especialmente na área da Saúde, com a indicação de um vice alinhado ao seu campo político.
O União Brasil assegura espaço na disputa ao Senado, ampliando suas chances eleitorais ao dividir palanque com Castro, além de fortalecer o ambiente político para projetos proporcionais, incluindo a tentativa de retorno de Antonio Rueda à Câmara dos Deputados.
Altineu Côrtes amplia sua projeção como uma das principais lideranças da direita fluminense, enquanto Flávio Bolsonaro reforça sua posição como articulador central da reorganização política no estado considerado berço eleitoral da família Bolsonaro e tradicional termômetro político nacional.